terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Musical Avenue Q: para ver já



A gente queria era ver Rei Leao, na verdade, mas como o lazer está intrinsicamente ligado aos nossos (pequenos, pequenos, quase inexistentes) recursos, pegamos o mais barato.

Tá, na verdade, nao saiu tao barato. Foi um rolo. Conto rápido: a venda dos ingressos mais baratos pelos cambistas oficiais (jurooo que existeee) funciona mais ou menos como um leilao. "Tenho dois lugares por 18,50, vai querer?", perguntou a mulher olhando para os lugares disponíveis no computador. Ahm, errr, deixa eu ver... "Agora só tenho dois de 30 pounds". Ok, eu deixo de comer por três dias para comprar seu bilhete, safada. Passa logo aqui.

Dito isso, conto que fui ver Avenue Q, no Gielgud Theatre, em Leicester Square, com a Ju Araújo. Nao pude ter melhor companhia. De novo, explico: o musical é mais ou menos uma brincadeira com os personagens de Vila Sésamo. Eles estao mais velhos, perdidos na vida, sem rumo ou objetivo, desempregados, POBRES, de mal com o jornalismo (magiiiiiiina aquelas que confundem com a vida real...). Mas é muito engraçado. Tem até sexo entre os bonequinhos. O personagem principal, Princeton, passa o show inteiro atrás de um purpose. PURPOSE. Ring any bells?



O melhor de tudo foi eles cantarem essa música que (desculpa a egotrip, mas blog é para isso mesmo) foi feita PARA MIM.

You'll be faced with problems of all shapes and sizes.
You're going to have to make a few compromises...
For now... Only FOR NOW!


Don't stress,
Relax,
Let life roll off your backs
Except for death and paying taxes,
Everything in life is only for now!


PS: Deixando a egotrip de lado, falo sério quando um dos atores cantou uma música PARA MIM. Tipo, LITERALMENTE. Tem uma parte em que eles descem para o público e ele veio do meu lado, sorridente. Quando o holofote me pegou, morri de vergonha! Senti até meu rosto queimar! Hahaha. Era uma música em que ele pede doaçoes em dinheiro e eu fiquei realmente na dúvida se jogava alguma moeda no chapéu que ele esfregou na minha cara.

Gone with the flow




A Ju Araújo foi dar um passeio por aí. Quem quiser acompanhar: no beleleu

2010 (parte 2)




2009, o fim.

Descobri que o metrô daqui me dá motion sickness e, nao importa quantas vezes pegue o ônibus, ainda me surpreendo com sua pontualidade ao chegar no ponto. Ainda nao comi nenhum fish and chips, mas acho que já decorei as comidas prontas da marca Sainsbury e Sommerfield. Quero dar pences para todo e qualquer músico de rua - mais por dó que por apreço - mas sempre quando o faço, falta para pagar aquela Guinness mais tarde. Sotaque inglês: ok. Sotaque indiano: em processo. Sotaque chinês: not gonna happen. Me fazer entender em lojas: ok. Me fazer entender em bares: ok. Me fazer entender quando bêbada: perfect! Já rolou cinema, show, musical, parque de diversao, exposiçoes, neve, liquidaçoes, visitas de amigos meus, visitas de amigos dele, doença, cansaço, saudade, estresse, ansiedade, frenesi. Já rolou carneiro assado, macarrão com abobrinha, champignon e pesto, salmão, baked potato, arroz a grega, ovo frito com pão, pringles e até fome noite a dentro. Sair de casa com três calças e três casacos. Um, dois, três dias de British Museum, de Natural History Museum, de acordar 13h da tarde... nao somos mais turistas. Estamos longe de muita coisa que amamos, mas perto de outras milhares que já aprendemos amar.

2010: this train is now ready to depart, please mind the closing doors, mind the doors.

domingo, 3 de janeiro de 2010

2010





Coloquei esta foto, pois é a única em que a Pat estava entre nós (no celular com a Fê)



Você sabe que o ano será espetacular quando, em seus primeiros cinco minutos, começa a cair uma neve cinematográfica (e você está assistindo a cena da Blackfriars Bridge, bebendo prosecco barato com algumas das melhores pessoas da sua vida).

domingo, 27 de dezembro de 2009

Boxing day: i survived



Boxing day AKA 26 de dezembro AKA momento de histeria coletiva causado pelas liquidaçoes.
Só mesmo a promessa de 50% OFF para me fazer levantar da cama às 7h30 da manha, num feriado gélido e depois de ter dormido apenas 4 horas. A girl with a mission.




Nao sei se dá para notar, mas toda a galera próxima a parede está, na verdade, formando fila para entrar na Selfridges, em Oxford Street. Ah, tem mais: a fila é apenas para quem queria comprar Gucci.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

With a gig like that, you know you should be glad !



Fomos ontem no show de ninguém menos do que Sir Paul McCartney (apelidado de "Macca" por aqui). Sente só:
  • O velhinho tá em forma. Sessenta e sete anos, mas corre, pula, toca instrumentos e canta por tanto tempo que eu me pergunto se eu teria preparo físico para aquilo.
  • Com mais de duas horas e meia de show, o Paul estorou o tempo limite que o O2 Arena coloca para que os shows acabem. Fez uma piada do tipo "Tá na hora da gente ir dormir, né? Eu preciso, vocês precisam. Vamos dormir agora?" A multidão gritou "NO!" e ele seguiu tocando várias músicas.
  • Tocou várias dos Beatles, incluindo "Let it be", "Sgt. Peppers", "O-bla-di, O-bla-da", "The long and winding road", "Back in USSR", "Helter Skelter", "Paperback Writer", "Eleanor Rigby", "Yesterday", "Day Tripper", "Blackbird"...
  • Trouxe um ukulele para o palco e disse que aquele tinha sido um presente do George, que era um exímio tocador de ukulele. Chegou a começar uma musiquinha tradicional no instrumento, como exemplo das músicas que o George tocava. E falou que um dia, na casa deste, fez uma versão de ukulele de uma música dele. E foi o que tocou: "Something".
  • Disse que era fã do Jimi Hendrix, e que teve a alegria de encontrá-lo algumas vezes. Quando lançaram o álbum "Sgt. Peppers etc.", era uma quinta-feira. No domingo, em um show, o Jimi fez uma cover. "How cool is that?!", disse o Paul.
  • Fez DEZENAS de vezes a brincadeira de gritar alguma coisa para que a multidão repetisse. Uma hora, confessou: "Poderia ficar a noite inteira fazendo isso".
  • Ou seja, falar besteira pra vinte mil pessoas é fácil como tomar chá para ele.
  • Tocou algumas músicas do álbum solo Fireman, que foi uma ótima oportunidade para que os fãs dessem um pulo no banheiro ou comprassem mais cerveja.
  • Não defendeu nenhuma causa. O cara é genial mesmo!
  • Ou melhor, defendeu a paz, mas só como desculpa para tocar "Give Peace a Chance".
  • Disse que "Yesterday" veio para ele em um sonho, que teve a sorte de lembrar quando acordou. Falou que já fizeram milhares de covers da música, e que ele acha engraçada a do Sinatra, que cantava "I must've done something wrong, now I long...", o que faz com que o cara seja um malandro do tipo "Sei lá, não é que eu fiz algo errado, talvez, se bobear, sei lá...."
  • Da mulher aos companheiros de banda, ele já viu muita gente morrer. E disse que acha triste as coisas que ele queria ter dito e não disse. Por isso, escreveu, depois que o John morreu, a letra de "Here today", segundo ele, um exemplo de conversa que ele NÃO tiveram.
  • A gente tava no setor mais longe do palco, na penúltima fila. Foi suficiente para a Jules chorar de emoção. Eu fiz o mesmo, mas sem chorar.

1 post, 2 números londrinos


520
acidentes no metrô em 2008 devido pessoas alcoolizadas

O pessoal bebe como se nao houvesse amanhã. A preocupação é muita e está espalhada por todos os lugares, principalmente no metrô, forrado de cartazes, banners e vídeos pedindo para que seus usuários tomem cuidado ao andar pelas suas dependêcias de pileque. Quem é de fora, acha extremo. Mas saindo do show do Pogues, vimos um punhado de gente trançando as pernas na plataforma, escada rolante, etc. Perigoso. Ah, uma história rápida para terminar meu ponto. Estava na fila do bar para pedir uma bebida. O cara na minha frente pediu uma pint e ao entregar o cartão de crédito para pagá-la, a garçonete avisou que o valor da pint era muito baixo para passar cartão. Ele pediu outra, entao. Foi o tempo de ela retirar o recibo da máquina, para ele terminar a primeira pint e pedir a segunda. Jaw-dropping. Até ela, que deve estar acostumada com bebedeiras sem fim, ficou perplexa. (Lembrando que 1 pint = 568 ml)

6h10 é o horário médio que um londrino acorda

MÉDIO. Ou seja, para cada londrino mais preguiçoso que levanta às 7h, tem um que cai da cama às 5h.